sábado, 28 de maio de 2011

invento.

Da janela do segundo andar, sentada junto ao meu computador, sinto cheiros

de perfumes vindos da rua.

Se parar pra pensar, não é assim, tão alto, mas não entendo como os cheiros

chegam tão fortes aqui em cima.

A cada vez em que sinto um desses, me transporto para um universo

paralelo.

Passo a imaginar como é a pessoa dona do perfume e como é sua vida.

Confesso que, se o cheiro não for lá muito bom, isso faz com que eu pense

numa vida meio ruim.

Levada pelo pensamento de que perfumes bons, são caros, eu logo passo a

achar que o dono de um perfume ruim, é alguém com dificuldades

financeiras.

Ok, ok.. eu sei que isso pode não ter nada a ver, mas eu penso.

Existem aqueles específicos, sabe?

De velhas, que vêm naqueles vidros quadradinhos.

De adolescentes comuns, que 70% das meninas da classe usam.

De garotos que não sabem escolher e usam os que ganham das tias, etc..

O fato é que eu me pego pensando em pequenos detalhes da vida de

pessoas que eu não faço ideia de quem sejam.

Crio toda uma vida, fantasio amores, dificuldades, responsabilidades, gostos,

crenças, tudo!

Isso tudo me ocorre em uma fração de segundos.

Assim que o cheiro se dispersa no ar, eu retorno à realidade e tudo continua,

como se eu, há meio segundo atrás, não tivesse inventado uma pessoa e

uma vida.

Não me afeiçoo, nem crio laços.

São apenas personagens.

Não me preocupo com as aflições que invento.

Eles que se virem.

Por fim, me esqueço das histórias.

São apenas devaneios.

As pessoas passam, os cheiros somem e eu nem me atrevo a chegar na

janela pra observar o dono da vida que inventei.

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