terça-feira, 29 de março de 2011

A que ponto uma pessoa pode chegar, pra evitar ser sufocada por um lugar e pelas pessoas que ali vivem?

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Por confiar e acreditar demais, de uma hora pra outra, ela percebeu o que estava acontecendo.

Todos os merecedores de sua confiança e amizade, demonstraram não merecer nem sua indiferença.

Assusta, triste e sozinha, ela se percebeu sem expectativas e sem sentimentos.

A dor causada pelos demais, já não dava sinais de existir ali, dentro do peito machucado.

A sensação de estar sozinha, já não incomodava mais.

A falta que algumas coisas, sentimentos e pessoas faziam, já não aparecia mais.

Ela se acostumou a viver sozinha. E por se acostumar, fez daquilo um prazer.

Qualquer pessoa que ousasse se aproximar, seria cruelmente afastada.

Ela não queria mais a dor de ser deixada pra trás. Não!

"Se é isso o que fazem todos aqueles com os quais nos importamos, não mais me importarei com ninguém." - ela pensava.

Já não sorria, não chorava, não sentia saudade, não vivia.

Então, ela percebeu que quando se decepciona alguém, você não acaba apenas com uma amizade, um amor, um sentimento qualquer.. você mata uma parte de alguém. Uma parte que esse alguém, considerava um motivo pra viver.

Ela estava morta por dentro.. e assim permaneceria, até que morresse, também, por fora.

segunda-feira, 28 de março de 2011

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É quando, do nada, você percebe que está sozinha, que você para pra pensar, e vê que isso não aconteceu "do nada".

sábado, 26 de março de 2011

stay whit me.

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- "Triste vida." Resmungou a garota sozinha, sentada no banco da praça, que se localizava em frente ao mar.

_ "Doce solidão!" disse o rapaz que passava, também sozinho, empurrando sua bicicleta.

Assustada com a possibilidade do estranho moço ter ouvido seu resmungo, ela fixou seu olhar nele, que retribuiu.

Acanhado, o moço pediu licença para se sentar ao lado da menina, que pensou por um instante e então assentiu com a cabeça.

Ficaram lado a lado, os dois virados pro mar.

Duas horas se passaram, sem que ninguém dissesse absolutamente nada.

Após mais meia hora, o silêncio foi quebrado pelas palavras da menina.

- "Preciso ir."

- "Tudo bem."

- "Mesma hora amanhã?"

Uma felicidade muito grande transpareceu dos olhos do rapaz, que apenas respondeu que sim.

E assim, começaram a se encontrar todos os dias, às cinco e meia da tarde, naquele velho banco de madeira.

Palavras e olhares só eram trocados quando o rapaz chegava, empurrando a bicicleta, como no primeiro dia.

Depois que ele se colocava ao lado dela, nada mais era dito.

Eram ouvidos apenas os barulhos do mar e as respirações dos dois.

Como no primeiro dia, às oito horas ela dizia que precisava ir e ele então se levantava, falava tchau, subia na bicicleta, virava a cabeça após ter pedalado um pouco e gritava:

- "Até amanhã!"

Ela abria um sorriso e virava na direção contrária.

Meses se passaram e eles continuaram se encontrando todos os dias, até nos finais de semana e feriados.

Eles nunca conversavam. Sequer sabiam um, o nome do outro.

E não precisavam, nem queriam.

A ligação criada ali, ia além de conversas.

Um completava o outro.

Seus sofrimentos e toda a tristeza nunca revelada, mas que transparecia nos olhos, sumia quando estavam juntos.

E isso era o que importava.