- "Triste vida." Resmungou a garota sozinha, sentada no banco da praça, que se localizava em frente ao mar.
_ "Doce solidão!" disse o rapaz que passava, também sozinho, empurrando sua bicicleta.
Assustada com a possibilidade do estranho moço ter ouvido seu resmungo, ela fixou seu olhar nele, que retribuiu.
Acanhado, o moço pediu licença para se sentar ao lado da menina, que pensou por um instante e então assentiu com a cabeça.
Ficaram lado a lado, os dois virados pro mar.
Duas horas se passaram, sem que ninguém dissesse absolutamente nada.
Após mais meia hora, o silêncio foi quebrado pelas palavras da menina.
- "Preciso ir."
- "Tudo bem."
- "Mesma hora amanhã?"
Uma felicidade muito grande transpareceu dos olhos do rapaz, que apenas respondeu que sim.
E assim, começaram a se encontrar todos os dias, às cinco e meia da tarde, naquele velho banco de madeira.
Palavras e olhares só eram trocados quando o rapaz chegava, empurrando a bicicleta, como no primeiro dia.
Depois que ele se colocava ao lado dela, nada mais era dito.
Eram ouvidos apenas os barulhos do mar e as respirações dos dois.
Como no primeiro dia, às oito horas ela dizia que precisava ir e ele então se levantava, falava tchau, subia na bicicleta, virava a cabeça após ter pedalado um pouco e gritava:
- "Até amanhã!"
Ela abria um sorriso e virava na direção contrária.
Meses se passaram e eles continuaram se encontrando todos os dias, até nos finais de semana e feriados.
Eles nunca conversavam. Sequer sabiam um, o nome do outro.
E não precisavam, nem queriam.
A ligação criada ali, ia além de conversas.
Um completava o outro.
Seus sofrimentos e toda a tristeza nunca revelada, mas que transparecia nos olhos, sumia quando estavam juntos.
E isso era o que importava.
sábado, 26 de março de 2011
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1 comentários:
Cara... que texto LINDO!
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