sábado, 26 de março de 2011

stay whit me.

- "Triste vida." Resmungou a garota sozinha, sentada no banco da praça, que se localizava em frente ao mar.

_ "Doce solidão!" disse o rapaz que passava, também sozinho, empurrando sua bicicleta.

Assustada com a possibilidade do estranho moço ter ouvido seu resmungo, ela fixou seu olhar nele, que retribuiu.

Acanhado, o moço pediu licença para se sentar ao lado da menina, que pensou por um instante e então assentiu com a cabeça.

Ficaram lado a lado, os dois virados pro mar.

Duas horas se passaram, sem que ninguém dissesse absolutamente nada.

Após mais meia hora, o silêncio foi quebrado pelas palavras da menina.

- "Preciso ir."

- "Tudo bem."

- "Mesma hora amanhã?"

Uma felicidade muito grande transpareceu dos olhos do rapaz, que apenas respondeu que sim.

E assim, começaram a se encontrar todos os dias, às cinco e meia da tarde, naquele velho banco de madeira.

Palavras e olhares só eram trocados quando o rapaz chegava, empurrando a bicicleta, como no primeiro dia.

Depois que ele se colocava ao lado dela, nada mais era dito.

Eram ouvidos apenas os barulhos do mar e as respirações dos dois.

Como no primeiro dia, às oito horas ela dizia que precisava ir e ele então se levantava, falava tchau, subia na bicicleta, virava a cabeça após ter pedalado um pouco e gritava:

- "Até amanhã!"

Ela abria um sorriso e virava na direção contrária.

Meses se passaram e eles continuaram se encontrando todos os dias, até nos finais de semana e feriados.

Eles nunca conversavam. Sequer sabiam um, o nome do outro.

E não precisavam, nem queriam.

A ligação criada ali, ia além de conversas.

Um completava o outro.

Seus sofrimentos e toda a tristeza nunca revelada, mas que transparecia nos olhos, sumia quando estavam juntos.

E isso era o que importava.

1 comentários:

@HashtagMcLovin disse...

Cara... que texto LINDO!

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